LipoaspiraçãoA busca pela harmonia do contorno corporal levou ao desenvolvimento de diversas técnicas e táticas cirúrgicas que, quando combinadas, podem oferecer ótimos resultados.

Descrita na década de 1980 na França, a lipoaspiração revolucionou a cirurgia do contorno corporal, dando ao cirurgião plástico uma ferramenta para o tratamento da gordura com cicatrizes mínimas e resultados surpreendentes. A evolução tecnológica permitiu a criação de quatro tipos diferentes de lipoaspiração: convencional, vibrolipoaspiração, ultrassônica e laserlipólise.

A lipoaspiração convencional é a mais utilizada até os dias de hoje por ser simples e não necessitar de nenhum equipamento especial. As cânulas têm diâmetro de três a seis milímetros e são introduzidas por incisões de 0,5 cm. Após a injeção de solução contendo anestésicos e vasoconstritor para redução do sangramento e dor no pós-operatório, o cirurgião aspira o excedente do tecido gorduroso com movimentos lentos e ritmados, auxiliado por um sistema de aspiração ou seringas. A gordura pode ser descartada, ou purificada e reinjetada para aumento de outras partes do corpo como glúteos, face e mamas.

No pós-operatório é necessário o uso de cintas compressivas. A drenagem linfática também é essencial para redução do inchaço e melhora do conforto. O pós-operatório normalmente não requer o uso de medicamentos potentes e, ao final de sete dias, a paciente pode retomar suas atividades com poucas restrições.

A vibrolipoaspiração foi desenvolvida para facilitar o trabalho do cirurgião plástico. As cânulas são acopladas a um motor que faz pequenos movimento vibratórios, diminuindo a força necessária para avançar no tecido gorduroso. Sua maior indicação é em pacientes submetidas a reoperações ou outros procedimentos anteriores, que deixam áreas cicatriciais e de fibrose nas áreas que serão tratadas. A gordura obtida através da vibrolipoaspiração pode ser reaproveitada para a enxertia.

A lipoaspiração ultrassônica é um método que havia sido esquecido no passado e vem ganhando popularidade recentemente. Trata-se de uma cânula com ultrassom na sua extremidade, que transforma a energia ultra-sônica em calor, gerando a destruição das células de gordura e poupando os vasos com a proposta de redução do sangramento. Outra vantagem potencial é a retração da pele em áreas flácidas como braços e coxas, especialmente em pacientes com história de perda de peso importante, como aqueles submetidos à cirurgia bariátrica. As desvantagens da técnica estão no tamanho da incisão necessária para passar a cânula, que é maior do que as cânulas convencionais, e o risco de queimadura da pele de dentro para fora.

A laser lipólise é realizada através de cânulas com diâmetro muito pequeno, ligadas a máquinas especiais com laser que propiciam a geração de calor semelhante ao ultrassom, com lesão somente da gordura e não dos vasos sanguíneos. A laser lipólise também se presta muito bem a locais com flacidez moderada, como braços e face interna de coxas. As principais limitações do método são o custo (por conta do equipamento especial), o risco de queimaduras pelo laser e o tempo cirúrgico aumentado, já que a cânula com laser não tem capacidade de aspiração, sendo necessária uma lipoaspiração convencional na sequência para remover a gordura liquefeita.

Com o número de métodos disponíveis atualmente é possível obter resultados muito bons na cirurgia do contorno corporal, com recuperação rápida e pouco desconforto. Somente durante a consulta com o especialista o método adequado para cada caso poderá ser indicado às pacientes.